terça-feira, 31 de agosto de 2010

AULA 09: Segunda-feira, 30 de agosto de 2010 - A REPORTAGEM

Na aula de hoje introduzi o tema A REPORTAGEM. A reportagem é, por sua definição nata, a alma do jornalismo.

Nesta primeira aula, falei dos conceitos de Reportagem e das definições, estilos, tipos e características deste gênero do jornalismo proposto pelos principais autores do gênero, como Luiz Beltrão, Oswaldo Coimbra, Nilson Lage e Muniz Sodré e Maria Helena Ferrari.

Alguns dos conceitos e definições explicados em sala de aula, estão:

Para Lage, há 3 tipos de reportagem:
1) Investigação – revelar fatos ocultados. Começou com o jornalismo americano
2) Interpretação – observado da perspectiva metodológica de dada ciência (mais freqüente no jornalismo europeu)
3) Novo jornalismo – EUA e Brasil - utiliza de alguns recursos literários para a escrita de textos jornalísticos.

Ainda conforme COIMBRA, há quatro tipos de estrutura para a reportagem: (todo texto tem uma estrutura ou uma estrutura mista)
1. REPORTAGEM DISSERTATIVA – função é informar. Há a presença óbvia de argumentação e um raciocínio a ser seguido. Guimarães afirma que o discurso argumentativo está diretamente ligado ao raciocínio dedutivo (p.13). Mas, só os fatos provam. Texto trás juízo de valor do autor, aliado às frases dos entrevistados. Os juízos de valor são fundamentados em dados e declarações do autor. Isto ocasiona raciocínio do texto e análise do conjunto dos fatos. Tem sentido lógico. Os fatos são generalizantes seguidos de fundamentação.
2. REPORTAGEM NARRATIVA – três categorias tecem o sistema narrativo: exposição, complicação e resolução. O texto narrativo, segundo a autora, ostenta uma dimensão temporal: os comportamentos que nele se processam têm relações mútuas de anterioridade e de posterioridade. A informação, para Coimbra, é uma ameaça à narrativa maior do que o romance. A estrutura da narração no texto jornalístico lembra o contexto extraverbal. E representa o real. Para Medina, indo ao encontro de GRITTI, em COIMBRA, “narrar alguma história não é mais viver esta história. O fragmento do tempo posterior que a narrativa representa é a passagem fundamental para uma realidade substitutiva; um esforço de prolongamento do instante anterior".
3. REPORTAGEM DESCRITIVA – Deve ter um tema-chave que anuncie a seqüência descritiva; com uma série de subtemas; e expansões de preticativas, ou seja, atribuições de qualidade, ações e subtemas). Levar em conta os aspectos psicológicos, físicos, festuais, tempo, espaço. Observar a postura, a tensão, felaxamento, formalidade, informalidade, atenção, discordância,rubor, suor, riso, olhar, silêncio... é o perfil psicológico.
4. REPORTAGEM NARRATIVO-DISSERTATIVA E REPORTAGEM DISSERTATIVO-NARRATIV A – Todo texto contém um pronunciamento do autor sobre uma dada realidade. E na reportagem descritiva, com bloco e fragmento, os elementos são articuladores de imagem, com comparação e detalhamento e metáforas.


Segundo Muniz Sodré e Ferrari, há os seguintes MODELOS de reportagem:
1) Fact -Story – relato objetivo dos acontecimentos, que obedece na redação à forma da pirâmide invertida. Os fatos são narrados em sucessão, por ordem de importância. Às vezes o distanciamento (objetividade) pode ser menor, como é o caso da matéria do Guevara, que é mais descritiva. Ex: revista Veja.
2) Action-Story – relato mais ou menso movimentado. Começa sempre pelo fato mais atraente e aos poucos vai descendo para a exposição dos fatos. O importante, nessas reportagens, é o desenrolar dos acontecimentos de forma “enunciante” (narração), próxima ao leitor, como se estivesse num filme. Em relatos desse tipo, o testemunho pode ser importante.
3) Quote-Story – relata documentos. Apresenta de maneira objetiva. É expositiva e se aproxima da pesquisa. É comum em documentários para a TV e naquelas reportagens mais formais, como relacionadas à saúde e finanças públicas.

Classificação geral da Reportagem – SEGUNDO LUIZ BELTRÃO
1) Reportagem de setor: É a busca, “redação” e a “publicação” de relatos ou fatos de interesse público, mas que se produzem com freqüência e são apurados em setores competentes conhecidos.
2) História de interesse humano: É a busca, redação e divulgação de relatos de fatos diversos, nos quais o jornalista descobre e aos quais imprime uma carga emocional, que vai atingir a sensibilidade do leitor, comovendo-o, instruindo-o ou despertando-lhe o humor.
3) A grande reportagem: É a busca, redação e edição de relatos de fatos de interesse público que, por não se produzirem com freqüência e versarem temas originais, oferecem aspectos extraordinários e criam situações complexas ou prismas novos.

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